Ballet é para tod@s

A gente AMA ballet clássico – dá pra ver pelo teto das
nossas lojas, né? – e ama mais ainda saber que ele pode ser uma dança super
democrática e que todo mundo pode se arriscar em umas aulas para se apaixonar
também! Mas pra dançar ballet não tem que começar desde criancinha, ter um
corpo super atlético e tudo mais? A resposta é: não! Para quebrar esses mitos e
fazer com que mais gente possa testar um novo exercício e, quem sabe, se
encontrar, batemos um papo descontraído com a bailarina, figurinista,
professora – e até digital influencer - Juliana Meziat. Vem com a gente!

Crédito: Peu Fulgencio

Naquela situação típica de história de família brasileira, a
Juliana foi colocada na aula de ballet pelos pais enquanto seu irmão fazia
futebol, mas nessa época ela nem pensava que aquela atividade viraria sua
profissão no futuro. Um dia, pulando e brincando no gramado do clube, uma moça
reparou nela e foi conversar com sua mãe, dizendo que as pernas e os pés dela
eram muito bons para o ballet e que ela deveria tentar ingressar na escola de
dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, essa pessoa atenta era ninguém
mais ninguém menos que a primeira bailarina do Theatro na época, então essa
sugestão contava e muito! Foi assim que a Juliana foi fazer o teste e ingressou
na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa , aos oito anos e concluiu seu curso
de formação nove anos depois. Logo depois da sua formatura, foi aberta uma
audição para o corpo de baile do Municipal e ela passou, integrando a Companhia
por seis anos. E assim começou sua trajetória profissional que ainda traria
muitas surpresas!

JR - Mas desde criança você sabia que era isso que queria fazer para o resto da vida?

JM - Não! Quando pequena nunca tive o sonho de dançar, eu gostava das aulas, mas não era um sonho. Até porque nunca fui uma daquelas crianças prodígio, a melhor aluna da turma. Meu início da Escola Maria Olinewa foi difícil justamente porque eu não tinha o mesmo biotipo das alunas, mas isso nunca me incomodou. Quando eu tinha uns 12, 13 anos que minha percepção mudou e decidi que queria fazer aquilo como profissão, passando a me dedicar totalmente a isso.

JR - Apesar do seu amor pelo ballet clássico, você também teve uma longa experiência no contemporâneo, certo? Como isso aconteceu?

JM - Desde os meus 15 anos, coloquei na cabeça que meu sonho era fazer parte do Grupo Corpo - uma companhia de dança contemporânea brasileira de reconhecimento e prestígio nacional e internacional, criada em 1975 em Minas Gerais. Ainda na companhia do Theatro Municipal, participei de uma remontagem de um ballet com o coreógrafo e os ensaiadores do Corpo e conheci essas pessoas. Depois do período do Municipal, surgiu a oportunidade de realizar o meu sonho. Foram, então, oito anos dedicados à dança contemporânea e uma experiência incrível de poder ter dançado em muitos palcos e lugares diferentes, como França, Alemanha, Luxemburgo, Edimburgo, Nova Zelândia, Islândia, Taiwan, Hong Kong e até no Alasca!

JR - E quando saiu de lá? Chegou a dançar em outra companhia?

JM - Não. Saí e fui fazer faculdade de figurino e indumentária. Minha mãe sempre teve confecção e esse era um assunto que me atraía. Pensava que poderia ser uma alternativa para seguir depois de parar de dançar profissionalmente.

Crédit: Peu Fulgencio

JR - Nessa época você chegava a pensar em se tornar professora?

JM - Sempre gostei muito da parte de remontagem de ballet, então eu tinha uma vontade de ser ensaiadora de companhia, mas eu sabia que seguir esse caminho me faria continuar trabalhando em Belo Horizonte quando eu tinha planos de voltar para o Rio de Janeiro. No Grupo Corpo cheguei a dar algumas aulas para uma turma de ballet amador, um dia surgiu uma proposta meio que por acaso de uma turma no Centro de Movimento Deborah Colker para dar aula de ballet clássico para adultos. Eu tinha acabado de ter meu primeiro filho, que na época tinha uns 10 meses, e aceitei o desafio.

JR - E como foi essa transição de carreira?

JM - Na época eu estava voltando à ativa depois da gravidez e tocava uma marca de fantasias, mas nunca tive o perfil para ser empreendedora, então resolvi testar a oportunidade. No início peguei poucas turmas, com pouquíssimos alunos e fui entendendo o novo universo. Cheguei a dar uma parada de seis meses para voltar a dançar, mas senti muita falta da sala de aula. Em 2013, voltei e resolvi focar na minha formação como professora, porque queria que realmente virasse uma especialidade. Eu me encontrei dando aula!

JR - Foi difícil dar aula especificamente para adultos?

JM - No começo foi um pouco difícil de me adaptar. Apesar se ter várias pessoas fazendo, tudo era muito novo no ballet adulto. As escolas estavam abrindo turmas porque viam que existia demanda, mas não tinham necessariamente uma metodologia específica nem entendiam o objetivo dos adultos que procuravam as aulas. Eu tinha um programa de aula de ballet infantil que tentava adaptar, mas também não entendia muito porque o adulto não conseguia desenvolver os passos daquela forma. Em 2014, comecei a dar aulas para uma turma de iniciantes e resolvi me estruturar do zero, encontrando a melhor forma de ensinar para pessoas tão diversas, que não necessariamente tivessem tido qualquer experiência anterior com dança.

JR - Você criou um perfil no Instagram voltado especialmente para o ballet adulto. A motivação foi essa dificuldade de adaptação?

JM - A criação do @demiplie_videos teve o objetivo de ajudar minhas alunas a memorizarem os nomes dos passos e também para divulgar ainda mais o ballet adulto. Porque até minhas amigas de profissão não entendiam muito bem o conceito de “ballet adulto”, achavam que era a mesma “aulinha” de criança só que pra gente mais velha. E pelo contrário, né? O ballet adulto é uma aula super aeróbica, que exige um trabalho muscular intenso e tem uma dinâmica bem vigorosa.

Crédito: Peu Fulgencio

JR - Qual a maior diferença entre a aula para crianças e a aula para adultos?

JM - A criança usa mais a intuição para seguir as sequências e os movimentos, enquanto os adultos tendem a querer racionalizar tudo. Por isso, da mesma forma que agir mais intuitivamente é libertador, as crianças tem uma maior dificuldade com a consciência corporal, enquanto os adultos acabam se travando muito apesar de uma maior consciência. Tem muito movimento que é orgânico e quando se racionaliza tudo acaba travando o próprio. movimento.

JR - E qualquer pessoa pode fazer ballet?

JM - Sim! Não há contraindicações! Claro que para se profissionalizar é preciso começar mais cedo, por volta de 9 ou 10 anos, com algumas exceções, – eu, por exemplo, tenho uma aluna que começou aos 14, mas é preciso haver muita dedicação, disponibilidade e inteligência emocional – mas para quem quer praticar por esporte, por hobby, não importa a idade! O importante é procurar uma escola que tenha opções de turma que sejam compatíveis com o nível do aluno.

JR - E existe um corpo certo para o ballet?

JM - Para quem quer fazer o ballet apenas como atividade física, sem pretensão de se profissionalizar, todo corpo é perfeito para dançar! Basta querer!

JR - Mesmo que nunca dançou?

JM - Por que não? O importante é procurar uma escola que tenha um trabalho sério de ballet adulto e que tenha turmas de iniciantes que partam do básico mesmo, do abecedário, e que tenha uma aula voltada para o fortalecimento da musculatura. Não adianta começar a ensinar passos de difícil execução se o corpo do aluno não está preparado para receber aquele estímulo, é preciso cuidar antes do que é necessário ter para aprender a técnica depois.

JR - E para quem quer uma atividade física para cumprir a promessa que fez no ano novo de emagrecer, o ballet é uma boa?

JM - Claro! O ballet é uma atividade que modela o corpo, ele define a musculatura sem dar volume. Dessa forma, acaba afinando a musculatura da região do quadril, da cintura e das coxas, além de dar muita resistência. Mas acho que os maiores ganhos da prática do ballet para o adulto são a maior consciência corporal, a postura e a concentração – já que, como exige muita atenção para execução dos passos, a aula vira quase uma meditação onde os problemas e preocupações precisam ficar do lado de fora da sala.

JR - E a sapatilha de ponta? Quando ela entra na aula?

JM - Isso depende muito de cada escola. Eu prefiro dar a aula de ponta separada para que os alunos possam escolher se querem ou não fazer esse tipo de exercício. Tenho alunos adultos que não curtem e se frustram ao tentar fazer a aula e até alguns que já fizeram quando crianças e não gostariam de repetir a experiência.

JR - E qualquer um pode usar sapatilha de ponta?

JM - Existe uma série de fatores pra determinar se cada um pode ou não subir na ponta, mas, o principal é o muscular. A sapatilha de ponta exige uma sobrecarga enorme na articulação e ela pode causar lesões sérias como rompimento de tendão, ligamento, joanete, esporão e tendinite, por isso a cautela precisa ser redobrada. De modo geral, é recomendado que se faça pelo menos dois anos de ballet antes de se arriscar na ponta, com aulas regulares e uma boa frequência que tenha dado estrutura suficiente para este novo passo na técnica.

Depois de descobrir que o ballet é para todos vai dizer que não deu uma vontade de experimentar? Aproveite e procure uma escola para se apaixonar por essa arte encantadora! A Juliana separou algumas dicas especiais pra quem vai fazer a primeira aula da vida. Olha só:

Crédito: Peu Fulgencio

A Juliana Meziat atualmente dá aulas no Centro de Movimento Deborah Colker, na Glória e na Gávea, no Rio de Janeiro. Acompanhe o @demiplie_videos no Instagram e saiba mais sobre esse universo encantador!

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